quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Análise do gesto Esportivo da Corrida - Parte 4




Agora vamos ver algumas alterações numa diferente perspectiva de visão. Estaremos vendo o gesto esportivo por trás.

fig.13

Na figura 13 podemos observar duas alterações importantes. Uma delas é a rotação externa do joelho, que podemos observar pela linha traçada no pé. De fato, para que possamos ter certeza que a rotação ocorre no joelho um exame clínico prévio é importante para que se possa descartar alterações da estrutura óssea, como a torção tibial e a torção submaleolar.



Quando encontrada, a rotação externa do joelho tem importantes implicações clínicas, pois implica numa aproximação das fibras dos tecidos da região lateral do joelho (além das fáscias, as fibras do trato íliotibial e do bíceps femoral estão mais aproximadas) e um maior alongamento relativo das fibras dos tecidos da região medial (semimembranoso e semitendíneo, sartório, grácil), sendo que pode ter origem justamente na ativação desequilibrada desses músculos (especialmente entre o bíceps femoral e o conjunto semimembranoso e semitendíneo, sendo que no caso o bíceps se contrai relativamente mais que os outros, promovendo a rotação do joelho). Essa ativação desequilibrada pode favorecer o desenvolvimento de uma tendinopatia (tendinite), tanto no bíceps femoral quanto nos músculos da "pata de ganso" (sartório, grácil semitendíneo).

Outro aspecto importante é em relação à articulação patelofemoral. Com a rotação lateral do joelho há um deslocamento da parte de baixo da patela para fora, e ela sai então de seu alinhamento ideal, favorecendo o aumento do atrito com a tróclea femoral. Isso pode favorecer o desenvolvimento de uma Condromalácia Patelofemoral e/ou Síndrome da Dor Patelofemoral.

A outra alteração importante é o desnivelamento da bacia, ficando baixa do lado da perna oscilante. A atividade muscular adequada da musculatura do quadril da perna apoiada em conjunto com a musculatura do tronco contralateral impediriam essa queda. Essa alteração tem repercussões importantes não somente em termos de lesão, mas também em termos da progressão horizontal e deslocamento vertical durante a corrida. De fato, a bacia mais nivelada permite à perna oscilante progredir, e na ausência desse nivelamento o atleta é obrigado a aumentar a frequência de passos (sua cadência) ou deve procurar outro meio da perna ter espaço para progredir. No caso da atleta em questão, esse espaço acabou sendo conseguido graças a uma excessiva oscilação vertical (observada na parte 2 desta série de artigos).

Em relação ao surgimento de lesões, a bacia desnivelada além de poder favorecer repercussões para a coluna lombar, promove um alongamento dos músculos e tecidos da  parte de fora da perna apoiada, pois funcionalmente é uma adução do quadril (fechamento da perna em relação ao corpo). Isso pode aumentar o stress de tecidos na região externa da coxa, podendo favorecer o surgimento de uma Bursite Trocantérica ou Síndrome do Quadril Saltitante. Além disso, a musculatura adutora tende a ficar mais aproximada, e acaba sendo usada para a coaptação do quadril (encaixe do quadril) em desequilíbrio (pela falta da musculatura abdutora) favorecendo-se assim dores, estiramentos e tendinopatias nesse grupo muscular.


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